PARÓQUIA SÃO JOÃO BATISTA

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Bom dia, Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

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Itinerário para Iniciação à Vida Cristã com crianças e adolescentes

PLANEJAMENTO DA PASTORAL BÍBLICO-CATEQUÉTICA

COMO PREPARAR O ENCONTRO: PASSOS METODOLÓGICOS

É preciso destacar primeiramente, que o encontro de catequese faz parte e está inserido em um todo, portanto, antes de prepará-lo, é preciso elaborar um programa sistemático para cada etapa/fase de catequese, que tenha conteúdos próprios para se desenvolver, levando em consideração o objetivo de cada uma das partes do processo e segui-lo, para que não haja um estímulo para o catequista trabalhar o que quiser ou aquilo que tem mais facilidade, deixando o processo fracionado por desorganização. Tendo o programa em mãos, o passo seguinte é pensar em um plano de encontro. O catequista precisa ter claro o tema do encontro, selecionar o texto bíblico para em seguida elaborar o objetivo, o ponto de partida e ponto de chegada do encontro, planejando bem para evitar improvisação. Após a escolha do tema e do texto bíblico que inspirará todo o encontro, o próximo passo é fazer a leitura orante desse texto para que fale ao coração do catequista em primeiro lugar, alimentando-o para que anuncie a Palavra experimentada e o inspire nos próximos passos.  Delimitando o objetivo do encontro, é importante estudar o texto bíblico e elaborar questões para serem respondidas no diálogo de aprofundamento do texto, como também estudar o conteúdo doutrinal que poderá ser aplicado no encontro. Tendo feito isso, o catequista estrutura a metodologia que será utilizada, selecionando as músicas, orações, símbolos, a disposição do ambiente, já pensando no gesto concreto e na celebração. O encontro deverá ser pensado também a partir de uma sequencia metodológica eficaz: ver a realidade, iluminar com a Palavra, celebrar para que a vida e a fé se inter-relacionem para agir, assumindo compromissos existenciais.  Sempre é bom prever o começo de tudo: iniciar o encontro com uma boa acolhida, de preferência na porta da sala ou ainda fora dela, realizando um momento ritual de acordo com o tema (traçar o sinal da cruz com água benta, entrar com a vela acesa, celebrar o acendimento do Círio pascal, lavar as mãos), já falando sobre o objetivo do encontro, o que será aprofundado, para dar sentido ao ingresso no ambiente de encontro de maneira orante. Oriente os catequizandos, ao entrarem na sala, para que observem o espaço previamente elaborado pelo catequista. É importante acalmar a mente e o coração para vivenciar o encontro com a pessoa de Jesus, para isso não basta dizer “silêncio”, uma sugestão seria cantar refrãos meditativos com a temática do encontro para interiorização.
O momento do ver a realidade, próximo passo depois da acolhida, deve ser elaborado sempre a partir do tema do encontro, sendo passo importante ouvir os catequizandos para perceber o que trazem de informação sobre aquele assunto: pode ser chamado de recordação da vida, um olhar para realidade aprofundando os fatos, causas, consequências do sistema social, econômico, político e cultural que nos envolve. O olhar a vida é o momento de ver o chão onde se vive e de preparar o terreno da realidade para depois jogar a semente da Palavra de Deus. O ver pode ser desenvolvimento de maneira bem pedagógica, por meio de histórias e fatos contados, notícias, figuras, palavras destacadas e até recortes de jornais. O momento da leitura da Palavra, o iluminar, é de fundamental importância. Por isso, é muito significativo que se tenha a preocupação de criar um ambiente favorável ao clima de oração. Para isso, conforme os livros do Brustolin é importante que se proceda de uma forma “ritual”, isto é, procurando conferir solenidade ao que se vai fazer. Solenizando a leitura da Palavra no encontro da catequese, o catequizando vai compreendendo e familiarizando-se com o espírito celebrativo da Igreja, a importância e o significado dos ritos, dos gestos, da postura, dos cantos, dos símbolos, das cores, enfim, tudo o que faz parte da liturgia cristã. Para proclamação do texto bíblico, que será feito da Mesa da Palavra na sala de catequese, canta-se inicialmente a aclamação, se for Evangelho, ou refrão medidativo para demais textos bíblicos, e todos colocam-se em pé, como gesto de disposição à escuta atenta da Palavra de Deus. Caso não tenha sido acesa, pode-se neste momento fazer o acendimento da vela de modo solene ou ainda acolher a Bíblia, num gesto de gratidão pela Palavra que será proclamada. O Catequista lê a Palavra, já destacando algumas expressões importantes na leitura e após a proclamação, apresenta a Bíblia ou faz um gesto de reverência diante da Palavra proclamada. Pode-se convidar um catequizando para ler a Palavra mais uma vez (previamente escolhido), preparando para o aprofundamento do texto bíblico e do conteúdo doutrinal. A Palavra, neste momento, é iluminadora e mostra qual a vontade de Deus em relação ao que foi apontado no ver. Faz-se um confronto com as exigências da fé anunciada por Jesus Cristo, diante da realidade refletida. Neste momento do encontro, aprofunda-se com o grupo os apelos que Deus faz para seus seguidores. Reconstrói-se o texto com a participação de todos, lembrando os cenários, as personagens, as relações entre personagens, o que foi narrado por meio de perguntas feitas pelocatequista cada um pode ainda dizer a parte do texto, palavra, frase ou gesto que mais lhe chamou atenção.
O catequista, utilizando-se de uma Mesa para partilha (mesa grande com cadeiras em volta) ou ainda com os catequizandos sentados em formato circular, explica o contexto da passagem e trabalha alguns versículos selecionados para explicar o significado do texto (pode-se trabalhar o bibliodrama neste momento: o que você sentiria se fosse determinado personagem? O que você teria feito no lugar dele? Como você agiria nessa situação? Quais os sentimentos mais fortes nesse momento? Você acha que fizeram certo?).
O Resgate do antigo simbolismo de sentar ao redor da mesa para tomar a refeição é destacado com a utilização da Mesa da Partilha. Neste caso, crianças, jovens e seus catequistas, sentam ao redor da mesa para saborear a Palavra que dá vida, sacia toda sede e devolve a alegria ao coração humano. Usando a mesa pretende-se sair do esquema de escola, da utilização de cadernos e canetas, e de tudo que lembre uma lição escolar. Ao redor da mesa se fala, se contemplam os símbolos, se dialoga e se realizam algumas atividades.
Dado o passo do aprofundamento bíblico, segue-se o desenvolvimento de algum elemento doutrinal, de acordo com o tema, elaborando-se estratégias e buscando material para esse momento, tais como documentos do magistério, textos de estudo e até sugestões de reflexão do texto bíblico ou do tema desenvolvido, muitas vezes presentes nos manuais de catequistas. O momento do iluminar tem a ver com o saber precisa ser bem desenvolvido e bem preparado pelo catequista!
Esse passo já prepara para o celebrar, momento orante fecundo do saborear em conjunto o que foi visto e iluminado: é hora de favorecer o encontro pessoal , ajudando os catequizandos a conversar naturalmente com Deus como um amigo íntimo.
Pode-se rezar usando símbolos, favorecendo o silêncio, por meio de cantos, gestos, salmos, frases bíblicas repetidas, relacionando sempre ao tema do encontro com a vida. A partir da celebração do encontro é possível motivar os catequizandos na participação das celebrações, liturgias, novenas, grupos de reflexão na comunidade.
No momento do celebrar, é interessante estimular orações espontâneas e trabalhar todas as modalidades orantes, não reduzindo somente a fórmulas prontas (Pai-Nosso, Ave Maria, Salve Rainha). Há de se estimular os catequizandos à oração para que saiba rezar nas diversas circunstâncias da vida. Outro ponto muito importante para se resgatar, já concluindo o momento da celebração, seriam as bênçãos, que podem ser realizadas de várias formas (catequista põe a mão na cabeça do catequizando em silêncio, os catequizandos abençoam um ao outro, com a Bíblia em uma das mãos, traça-se o sinal da cruz sobre a fronte do catequizandos, abençoa ungindo com óleo ou também podem ser utilizadas fórmulas de benção) e um momento de abraço da paz, ou também oração pela paz e pelas famílias.
Todo encontro precisa conscientizar que ser cristão não é ficar passivo diante da realidade. O momento do agir é transformador e comprometedor: trata-se de encontrar passos concretos de mudança das situações onde a dignidade é ferida a partir de critérios cristãos vivenciados no encontro. O gesto concreto está ligado ao compromisso existencial diante da Palavra de Deus, que questiona e exige a mudança nas pessoas, famílias e comunidade. O catequista necessita provocar o seu grupo para ações práticas e os compromissos podem ser discutidos e assumidos de forma individual ou ainda grupal. É o momento de guardar para vida a partir do assunto tratado no encontro.
O encontro de catequese, como caminho de formação na caridade e no serviço, deve abrir-se ao horizonte da promoção integral do ser humano e da transformação da sociedade nos diversos níveis: o agir na justiça e na verdade, a consciência política, a quebra de preconceitos (idoso, mulher, raças, portadores de deficiências), a opção preferencial pelos pobres e marginalizados, a luta pela libertação dos vícios do século XXI (drogas, bebidas, egoísmo, mentira). São práticas que devem estar presentes no compromisso catequético.
Por fim, o catequista deve colocar tudo que planejou por escrito em um papel para que não se perca durante a aplicação do encontro (quanto mais organizado, mais segurança) e também preparar uma página para os catequizandos com a citação do texto bíblico, as músicas que serão cantadas no encontro, algum resumo marcante daquele tema e ainda o gesto concreto da semana, que como já visto, não é tarefa escolar.
Parece simples preparar um encontro, mas como observado, exige do catequista consciência de seu papel evangelizador, dedicação, experiência de fé e profunda reflexão para tornar cada encontro um espaço de crescimento e experiência de fé. O catequista deverá se programar para preparar bem seu encontro, pensando nos objetivos e finalidades da catequese, como também deverá chegar com antecedência ao local onde exerce seu ministério catequético para preparar o ambiente do encontro e com respeito e igual atenção, receber todos os catequizandos, sem demonstrar preferências.
É importante o cuidado com o ambiente encontro porque ele também é símbolo e deve contribuir na catequese. Para o encontro iniciático é preciso que se providencie uma Mesa da Palavra, com a Bíblia em destaque, toalha de acordo com o tempo litúrgico, velas, flores naturais e outros símbolos, de acordo com a proposta do dia e a Mesa da partilha. Que o local seja arejado, com cores vibrantes, sem cartazes pendurados nas paredes (o que é mais típico de ambiente escolar) e sem quadro negro. Evitar a poluição visual é essencial para que se destaque o foco do encontro de catequese: Jesus Cristo, a Palavra de Deus e a pessoa humana.

(Padre Roberto Bocalete – especialista em Pedagogia Catequética – PUC-GOIAS)