PARÓQUIA SÃO JOÃO BATISTA

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Boa tarde, Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019

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Homilia da Posse de Dom Tomé Ferreira da Silva

Caros fiéis: leigos, consagrados, religiosas, diáconos, sacerdotes, bispos, arcebispos e cardeais. Tenho no meu coração a recordação de Abraão que, na maturidade, partiu de Ur, na Caldéia, para conquistar a terra prometida e  cultivar as raízes do Povo de Deus.Vivo uma situação humanamente inusitada: companheiros de infância chegam à aposentadoria. Alguns deles contemplam nos seus braços, não mais os filhos, mas os netos. A esta altura da vida, esperando e desejando uma transferência da Arquidiocese de São Paulo, pensava que me seria concedido voltar para o sul de Minas Gerais ou, ao menos, para próximo dele. No entanto, eis me aqui! Para o porvir, vislumbro no horizonte, quiçá, 23 anos de ministério nesta Diocese de São José do Rio Preto, terra iluminada e aquecida pelo sol, símbolo da fé suscitada e iluminada pelo Espírito Santo no coração do povo que habita este chão. Oxalá, do mesmo modo que deste solo abençoado brota a cana, fonte do etanol e do açúcar, combustíveis para o mundo e o homem, que nossa fé seja fonte de vida para uma Igreja santa e um mundo melhor.


1.0 É PRECISO QUE EU EVANGELIZE.
Saúdo os fiéis das cidades de Adolfo, Altair, Álvares Florence, Américo de Campos, Bady Bassitt, Bálsamo, Buritama, Cedral Cosmorama e Floreal. No Evangelho proclamado, a partir das pessoas e dos tempos de Noé e Lot, tomados como estruturas paradigmáticas, Jesus Cristo nos propõe a contemplação, na fé e na esperança, da sua revelação final e gloriosa no fim dos tempos. De alguma maneira, em modo próprio, experimentamos a realidade universal e final da Parusia já sinalizada no mistério pessoal da morte e do juízo particular. Vivemos o último tempo da História da Salvação. Como nas épocas de Noé e de Lot, estamos sujeitos a um risco fatal, o da cotidianidade, descrita no evangelho como um modo de vida banal centrado no comer, beber e casar-se ou ainda, no comprar, vender, plantar e construir ou, em um terceiro modo, descrito como um estar aí, no terraço ou nos campos, na cama ou na moenda. Na Palavra da Salvação acolhida, Jesus Cristo mostra que há um modo para romper o risco e a tentação da cotidianidade: Quem procura ganhar a sua vida vai perdê-la, e quem a perde vai conservá-la. Ora, é justamente isso o que Jesus Cristo faz através da sua encarnação, vida oculta, ação pastoral, no mistério de sua cruz e ressurreição. O que propôs como ideário de vida, Ele o realiza existencialmente: perde a sua vida, morto na cruz, mas conserva-a com a ressurreição.


2.0 NO CORAÇÃO DA MÃE.
Saúdo os fiéis das cidades de Gastão Vidigal, Guapiaçu, Icém, Ipiguá, Jaci, José Bonifácio, Lourdes, Macaubal, Magda e Mendonça. A primeira leitura que ouvimos, da segunda carta de São João, mostra a necessidade de caminhar segundo a verdade, viver no amor com os outros, que é, segundo o próprio autor, viver segundo os mandamentos. A verdade e o amor são apresentados como o caminho para combater os sedutores que não confessam o mistério da Encarnação. Estes não só não permanecem na doutrina de Cristo, mas acreditando situarem-se para além dela, não possuem a Deus. Morrer para a cotidianidade é, em Jesus Cristo, morrer para a mentira e o egoísmo, viver na verdade e no amor. Eis o caminho da santidade, da perfeição da vida cristã: santidade na verdade e caridade!


3.0 É PRECISO QUE ELE REINE.
Saúdo os fiéis das cidades de Mirassol, Mirassolândia, Monções, Monte Aprazível, Neves Paulista, Nhandeara, Nipoã, Nova Aliança, Nova Granada e Nova Luzitânia. Vivemos o tempo escatológico, estamos na última vigília, clamamos: Vem, Senhor Jesus!. Não há outro tempo a esperar, por isso não há tempo a perder. Há uma urgência em conceder Jesus Cristo e o seu Evangelho de Salvação a todos que o esperam.Hoje, de forma mais intensa que ontem, condicionados por tantos atrativos, possibilidades, desafios e tarefas, estamos submetidos ao influxo da distração e da dispersão na vida de fé e na ação pastoral. Bem intencionados, investimos tempo e energia na análise da realidade, na busca interminável de novos caminhos, estruturas e estratégias para a vida cristã e pastoral. Ao fim da compreensão, se é que ela termina, o permanente risco é o de morrer na praia: não ir ao encontro das pessoas para doar-lhes Jesus Cristo e o seu evangelho de salvação. Segundo a vontade do Pai, os que deveriam encontrar, conhecer, amar e seguir Jesus Cristo, por nossa culpa, acabam privados do bem maior que possuímos e que elas tanto esperam receber por nosso intermédio, o Divino Salvador. Há uma urgência inadiável de uma vida cristã missionária, fundada na experiência da irresistibilidade de Jesus Cristo, do fascínio que Ele exerce sobre nós. Seduzidos por Ele, somos impelidos pelo Espírito Santo, como exigência alegre e interna, a doá-lo ao outro, à sociedade, à cultura e ao mundo. Uma ação apostólica que deve ocorrer na e através da Igreja, Mãe e Mestra. A causa e a necessidade da missão da Igreja no mundo não são externas ao Povo de Deus. A experiência que fazemos de Jesus Cristo no-lo apresenta como o Bem de Deus, Criador e Salvador, para a humanidade. O Bem difunde-se por si mesmo. A proposta de Deus Pai à pessoa humana, Jesus Cristo, difunde-se por si, na força do Espírito Santo. Somos inseridos nesta dinâmica como seus amigos. Só Deus é bom, e Jesus Cristo é a materialização de sua bondade para a humanidade e o mundo. Somos amigos de Jesus Cristo porque o experimentamos como o Bem de Deus em nossa vida: Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. Por isso o propomos às outras pessoas, à sociedade, ao mundo e à cultura. Do mesmo modo como nos foi doado, através da Igreja, Jesus Cristo precisa de nós para chegar aos outros. Não só ao outro distante, mas ao outro que está ao meu lado na família, na escola, no trabalho e na vida social. Outro que é realmente outro, enquanto não faz parte do nós, da Igreja, dos amigos de Jesus Cristo.


4.0 QUE TODOS SEJAM UM
Saúdo os fiéis das cidades de Onda Verde, Orindiúva, Palestina, Parisi, Paulo de Faria, Planalto, Poloni, Pontes Gestal, Potirendaba e Riolândia. Para viver missionariamente, precisamos de uma vida de fé mistagógica, que nos faça participantes da vida de Deus. Uma vida de fé que sustentada na experiência orante da Palavra de Deus, na vida sacramental e no exercício da caridade. Não há outra receita nem outro caminho! É preciso voltar ao essencial, e o essencial é simples, belo e suficiente: alimentar-se da Palavra de Deus, dos Sacramentos e da Caridade. Viver mistagogicamente a fé pressupõe reconhecer o protagonismo do Espírito Santo. Implica deixar Deus ser Deus em nossa vida. Deixemos Deus ser Deus em nossa vida! Deixemos Deus ser Deus em nossa Diocese de São José do Rio Preto! Uma fé vivida existencial e mistagogicamente, como proposta por Jesus Cristo, vemos exemplificada na pessoa de Nossa Senhora e de São José, pessoas que não caíram na cotidianidade, mas morreram para si mesmas para viverem para Jesus Cristo e tiveram suas existências transfiguradas, pois fizeram a Vontade do Pai.


5.0 PARA O SERVIÇO À VIDA
Saúdo os fiéis de São José do Rio Preto, Sebastianópolis do Sul, Tanabi, Turiuba, Ubarana, Uchoa, União Paulista, Valentim Gentil, Votuporanga e Zacarias. A crise hodierna do ato de crer não é só conseqüência da linguagem e da ausência ou inadequação das estratégias na missão evangelizadora. Há algo mais. Cresce no coração das pessoas, nas estruturas sociais, na cultura e no mundo uma radical recusa à fé e ao seu conteúdo enquanto tal. Não ignorar esta recusa da fé é condição para uma veraz e eficiente evangelização. A recusa da fé manifesta-se nas pessoas, no mundo, na sociedade, na cultura e na própria Igreja como um maléfico fermento que produz frutos que se espalham por toda parte como um vírus no mundo virtual. Estes frutos não assustaram porque se apresentaram em doses homeopáticas, disfarçados, mimetizados. Quando se percebe, já estão introduzidos nas pessoas, comunidades e instituições. Uma nova evangelização para a transmissão da fé pressupõe não só eliminar alguns frutos deteriorados, podar galhos, mas também arrancar alguns males pela raiz, pois são eles que levam ao subjetivismo e relativismo na experiência de fé. Uma nova evangelização para a transmissão da fé precisa de um antídoto, um antivírus radical, peculiar: pessoas apaixonadas por Jesus Cristo, tal como Ele é guardado e apresentado pela Igreja pessoas que se deixem seduzir pela irresistibilidade de Jesus Cristo, pois Ele é o nosso único Salvador. A eliminação dos males pela raiz, o melhor sistema de segurança antivírus para a mediocridade da vida cristã e da ação pastoral, pressupõe abraçar o mistério da cruz e o martírio diário, o que só é possível para católicos apaixonados por Jesus Cristo e que acolhem a Igreja como Mãe e Mestra e vivem nela como filhos e discípulos.


CONCLUSÃO:
SANTIDADE NA VERDADE E CARIDADE
Cumprimento as autoridades presentes nesta Santa Missa. Saúdo os fiéis vindos de cidades de outras arquidioceses e dioceses do Brasil. Acolho com gratidão meus familiares e amigos. Amplexo aos que rezam conosco pelos meios de comunicação. Não me olvido que hoje celebramos a memória litúrgica de Santa Margarida da Escócia e Santa Gertrudes. A primeira, esposa, mãe e rainha a segunda, religiosa contemplativa, culta, que bebeu sua sabedoria na liturgia, na Sagrada Escritura e na Patrística. Enquanto Santa Margarida da Escócia mostra-nos a possibilidade de viver o ordinário da vida de modo extraordinário, sem cair na cotidianidade, Santa Gertrudes exorta a não esquecermos de viver o silêncio contemplativo. A recordação destas duas mulheres na liturgia faz-me reconhecer a fundamental presença e ação das mulheres na Igreja. A vocês mulheres na e da Igreja, muito obrigado! Deus lhes pague! Fiéis diocesanos de São José do Rio Preto, doravante filhos e filhas, à luz do êxodo de Abraão, compreendo que venho como enviado, em missão confiada pela Igreja. Quero crer, seja esta a Vontade de Deus para mim e para a nossa Diocese de São José do Rio Preto. Confiando n'Aquele que envia, como filho e discípulo da Igreja, acolhi sem pestanejar o pedido da Nunciatura Apostólica! De hoje em diante, a Diocese de São José do Rio Preto será para mim a terra prometida! À diferença de Abraão, nada tenho a conquistar nesta terra, a não ser novos amigos para Jesus Cristo e novos filhos para a Igreja. A gente desta terra me é oferecida pela Igreja. E eu a acolho de coração aberto e alegre. A partir deste presente, amo e amarei os fiéis desta Diocese como a filhos e filhas muito queridos! Oxalá, como o ocorrido com Abraão, o tempo a ser vivido nesta Diocese de São José do Rio Preto seja para mim uma bênção, uma graça, a hora da felicidade também humana, até agora desejada, buscada e não encontrada como bispo na Igreja ao longo destes quase oito anos. Sinto-me continuamente desconfortável neste ministério, não pelo que é em si, mas pelo que sou e como sou, um pecador na sucessão dos apóstolos. O episcopado tem sido para mim mais um ônus do que um bônus. Caro filho e querida filha, como ensina Jesus Cristo, de hoje em diante, sua cidade será minha cidade, sua casa será minha casa, sua família será minha família, sua mesa será minha mesa, seus pais serão também os meus, meus também os seus irmãos e irmãs. Em contrapartida, caro filho e querida filha, meu coração não me pertence mais, é de vocês meus braços se abrirão e fecharão em abraços para tê-los na partilha da alegria e da tristeza, da saúde e da doença, amando-os na santidade, buscada e respondida na verdade e na caridade. O que sou e tenho, não me pertencem mais, é de vocês. Se minhas limitações pessoais se tornarem um empecilho para uma eficiente ação pastoral, decepcionando-os e não correspondendo ao que a Igreja espera de mim, saibam que diuturnamente, genuflexo em oração, minha oração será com e por vocês. Diferentemente do que solicitou Santa Mônica a Santo Agostinho, peço-lhes que, quando vier a faltar-me a vida neste mundo, quando já não mais for-lhes útil este pobre e combalido corpo, meus despojos sejam devolvidos à cidade de Cristina, onde gostaria que repousasse, junto a meus pais, no aguardo da ressurreição final, naquela colina que, a cada dia, recebe sempre os primeiros raios de sol. Caros diocesanos, somos confiados à terna e materna proteção de Nossa Senhora, sob o título do Imaculado Coração de Maria. São propícias para nós as palavras que Santo Antônio Maria Claret disse aos seus filhos espirituais: Um filho do Imaculado Coração de Maria é aquele que arde de caridade e, por onde quer que passe, incendeia que deseja eficazmente, por todos os meios, que todos os homens se inflamem com o fogo do amor divino. Não se amedronta com coisa alguma goza com as privações vai ao encontro dos trabalhos abraça as tristezas nas calúnias está contente alegra-se nos tormentos pensa unicamente em como seguir e imitar Jesus Cristo, rezando, trabalhando, sofrendo sempre e unicamente preocupado com a glória e a salvação dos homens. Enfim, caro filho e querida filha, Recomendemo-nos à proteção daquele a quem o próprio Deus confiou a guarda dos seus tesouros mais preciosos, São José , patrono desta igreja catedral: Lembrai-vos ó puríssimo Esposo de Maria Virgem, ó meu doce protetor, São José, que jamais se ouviu dizer que alguém tivesse invocado a vossa proteção, implorado vosso socorro e não fosse por vós consolado e atendido. Com esta confiança venho à vossa presença e a vós fervorosamente me recomendo. Não desprezeis a minha súplica ó Pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos acolhê-la piedosamente. Assim seja!

 

Dom Tomé Ferreira da Silva
Bispo da Diocese de São José do Rio Preto


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